INSTITUTO CARLOS MARIA TEIXEIRA

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A partida do Leão


Ouço lá do meu Trombetas a triste notícia da partida para a História de Manoel Leão Teixeira, neto de Carlos Maria Teixeira (um dos fundadores de Oriximiná), na data de ontem, as 93 anos. ‘Seu Leão’, primo e grande conhecedor das nossas origens trombetinas, desde cedo se mostrou integrado às vivências herdadas de seus pais Henrique de Almeida Teixeira e Dulce Ferreira Teixeira, conduzindo os negócios da família no comércio dos gêneros para os castanhais, antes de ingressar no serviço público, onde desempenhou com grande honra todos os cargos que lhe foram confiados por longos 35 anos; desde a SMER – Serviço Municipal de Estradas e Rodagens, passando pela Divisão de Estatísticas, Patrimônio e similares, até ao cargo de vereador na década de 60. Neste, deixou um legado pela autoria do Projeto da Biblioteca Pública de Oriximiná. Por fim, foi assessor parlamentar na Câmara Municipal de Oriximiná ate sua aposentadoria. De uma lavra vernacular ímpar fazia redação das leis e atos municipais como ninguém.

Na década de 80, ainda lembro a viagem antológica que fizemos ao Cuminá Mirim, mais especialmente ao lago do Apé, onde fomos tomar posse das terras adquiridas de minha Avó Celeste Ferreira de Almeida, tia do primo Leão, momento em que a memória foi reavivada para sempre. Foi lá que meu pai, José Luiz Ferreira de Almeida, o primo Leão e eu nos demos as mãos para tentar abraçar o tronco de uma castanheira que se fazia presidir aquela linda floresta de então. Mas, as memórias que mais impressionaram seus conterrâneos são as riquezas de detalhamento dos fatos narrados sobre as origens das coisas em Oriximiná.

Manoel Leão Teixeira foi descendente direto do Teixeirão, como ficou gravado na memória oriximinaenses o nome do português que dá nome à principal rua da cidade, homem público de conduta ilibada, comprometido com as causas públicas, preparado intelectualmente e inquestionável conduta moral e familiar, conforme homenagem prestada nesta data pela Câmara Municipal de Oriximiná. Ouvi do primo Leão Teixeira: quem recebeu e tinha como convidado na sua casa o casal francês Henry e Otille Croudeau foi o Teixeirão, apelido de Carlos Maria Teixeira, por volta do ano de 1894, ano nasceu o terceiro filho, e mandou batizar com o nome Henrique para homenagear o amigo francês. Teixeirão tinha uma fazenda ali no Diamantino, na foz do furo do Paupixuna, bem na frente da cidade. Lá foi construído erguido o primeiro trapiche do Porto de Lenha onde atracavam os navios a vapor que faziam a linha de navegação Belém -Salgado, lá no Cuminá.

Homem dos livros, sua erudição tinha espaço para comentar as viagens demarcatórias de limites da fronteira do Brasil ao norte, como a de Marechal Cândico Rondon, em 1927; estava lá no livro “A Amazônia que eu vi”, de Gastão Cruls; também mencionava as revoltas militares do coronel Pompa, no forte Pauxis, em Óbidos; as viagens de Emídio Martins Ferreira, seu avô materno que tinha morada lá no Apé, o segundo prefeito de Oriximiná. As notícias da Petrobrás, quando prospectou petróleo nas cercanias de Oriximiná com suas “burras pretas” . Não é à toa que o mais do povo se socorria dos seus conhecimentos na escrita para salvação geral da língua pátria, inclusive a estudantada para atender as pesquisas escolares. Entretanto, eram sua cordialidade, urbanidade e capacidade de ouvir os que lhe buscavam na sede de saber, que lhe deu espaços em todos os lares e ambientes oriximinaenses. Perfeito interlocutor porque sabia guardar cada assunto aos seus respectivos interesses ainda que contrários aos alcaides de plantão, conseguir harmonizar ânimos e atingir objetivos da coletividade na solução de lides outras. E nessa levada histórica muito das memórias me assolam neste dia de lamentação pela alma de nosso primo!

O Primo Leão, nascido a 10.4.1927, foi casado com Quitéria Monteiro Teixeira em primeiras núpcias, e tiveram 8 filhos, sendo 2 já falecidos: Maria Dulce Monteiro Teixeira (in memorian), Maria Lúcia Teixeira Machado, Maria Helena Monteiro Teixeira, Wilson Leão Monteiro Teixeira, Maria Cristina Monteiro Teixeira, Maria do Socorro Monteiro Teixeira, Ana Lucidea Monteiro Teixeira (in memorian) e Gilson Ruy Monteiro Teixeira. Em segunda núpcias com Tereza Feijão Tavares não teve filhos. Sua descendência segue o caminho ilibado do pai, que se revelam em exemplares servidores públicos, dentre outras nobres profissões. Ficam aqui nossas homenagens ao homem que cultivou a memória, amigos e parentes sem se importar com as adversidades da vida terrena. A ideia de comunidade cidadã sempre presidiu sua passagem na vida pública. Era, de fato, um servidor público!

Por fim, recorro a Cícero para homenagear o primo Leão dizendo que “na formação das mentalidades, a contribuição mais significativa remete à solidariedade cívica, ao sentimento de pertencimento à comunidade de cidadãos, cujos limites cada um podia aprender, pelo menos aos olhos do espírito.” Leão fica eternamente gravado com o galardão da solidariedade cívica pela gratuita maneira de espalhar seu conhecimento coletivo na formação da comunidade oriximinaenses. Que Deus receba sua alma na gloria eterna! Amém!

João Bosco Almeida
Advogado e escritor - artigo publicado em 21/05/2020

O legado do Teixeirão


Neste Dia de Finados, homenageamos Carlos Maria Teixeira, carinhosamente conhecido como Teixeirão, um nome que ecoa nas ruas e na história de Oriximiná. Nascido em 11 de dezembro de 1838, em Portugal, na freguesia São João Batista da Ribeira, filho do capitão Miguel Teixeira Cabral e Apolônia Maria da Costa da Silveira, sendo avós maternos o coronel Domingos José da Costa Lima e Francisca Thereza do Espírito Santo, da cidade de Braga. O jovem Carlos chegou ao Pará em 31 de janeiro de 1862, aos 23 anos, iniciando uma jornada que marcaria profundamente a região. Sua vida e legado estão eternizados em diversos feitos, como a construção de casas comerciais, o desenvolvimento econômico e social, e a contribuição para o crescimento da comunidade às margens do Rio Trombetas, onde consolidou suas atividades até o seu falecimento em 5 de outubro de 1915.

Este ano, temos o privilégio de contar com uma nova obra que lança luz sobre essa história. O pesquisador João Bosco Almeida, membro da Academia de Letras e Artes de Oriximiná, na cadeira nº 8, lançou o livro Breve Introdução à Vida e Obra de Carlos Maria Teixeira, no dia 1º de maio de 2024. Nesta obra, encontramos registros detalhados sobre a vida de Teixeirão, desde sua chegada ao Baixo Amazonas até sua contribuição para o desenvolvimento da cidade. O livro reúne memórias e relatos que resgatam o papel fundamental de Carlos Maria na formação da identidade e da economia local.

Hoje, sua descendência ainda é ativa em Oriximiná, com líderes influentes que continuam a honrar o legado de seu antepassado. Suas ações e contribuições são um elo vivo com o passado, que fortalece a identidade e a memória de Oriximiná. Neste Dia de Finados, recordamos Carlos Maria Teixeira e todos os que, como ele, contribuíram para o progresso e o espírito comunitário de nossa terra. Que sua memória seja sempre uma fonte de inspiração e reverência para as futuras gerações.

Sobre o ICMT

O Instituto Carlos Maria Teixeira (ICMT) tem como finalidade preservar, promover e difundir a memória e o legado de Carlos Maria Teixeira, uma figura fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região do rio Trombetas, no Pará.

O instituto busca ser uma referência na pesquisa histórica sobre a vida e as contribuições de Carlos, que se destacou em áreas como o comércio, a navegação fluvial e a construção de infraestruturas que impactaram diretamente o progresso da região.

Entre suas atividades, o ICMT atua na promoção de estudos e publicações sobre o período colonial e imperial brasileiro, com foco no impacto das iniciativas de Carlos Maria Teixeira no setor econômico local, como a produção de castanhas-do-pará, a construção de igarités e a exploração de recursos naturais.

Além disso, o instituto fomenta ações culturais e educativas, incentivando o conhecimento e o orgulho pela história local, conectando as gerações atuais ao rico passado da região.

Por meio de exposições, eventos e parcerias com instituições educacionais, o ICMT visa promover um espaço de reflexão sobre a importância da história para a compreensão do presente e para o desenvolvimento sustentável da comunidade. O Instituto também se empenha na preservação de documentos históricos, promovendo a investigação acadêmica e possibilitando um acesso amplo às fontes que relatam a vida e obra de Carlos Maria Teixeira e sua contribuição para a Amazônia.

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